17 de agosto de 2017

IMPERFEITA


Sempre caprichei na imperfeição. Trombei muitas vezes diante de situações que não compreendia e tive de rebolar para crescer, apesar dos meus tombos.

De alguma maneira a ciência de que o erro faria parte do processo de avanço me deixou mais livre, menos certinha.

Andei pela contramão várias vezes.

Aprendi que correr risco era preciso. 

Percebi que tudo muito reto não enverga, mas, quebra - e feio!

Todo material muito rígido precisa se expor a alguma força muito grande (e maior) que o machuca, contorce, queima; então temi a rigidez desde o princípio.

Ser uma espécie de cauda esvoaçante não me fez tomar menos vento no rosto. 
Também não impediu que eu, às vezes, me cegasse pela poeira da ventania no olho, mas, me fez perceber que o excesso de rigidez impediria o progresso pessoal, porque me deixaria na posição perigosa de uma certeza falsa.

De todas as imperfeições a mais valiosa talvez seja a autoresponsabilidade pelos próprios atos.

É saber que, mesmo quando a conta não fecha, ela prossegue me pertencendo. 
E cabe a mim, somente a mim e ao quê desejo para minha vida, realizar novas somas e promover as subtrações.

Sim, porque subtrair é necessário antes de somar. Sempre.

Caso contrário, você multiplica os tombos anteriores.

| Cláudia Dornelles

Nenhum comentário:

Você poderá gostar de...