17 de abril de 2017

Então, que seja doce.


Então, que seja doce. 

Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou cinza dos dias, bem assim: que seja doce. 


Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. 

Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. 

Tudo é tão vago como se fosse nada.

Caio Fernando Abreu

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