21 de janeiro de 2017

Sonhei contigo


Sonhei contigo

embora nenhum sonho possa ter habitantes,

tu a quem chamo amor,

cada ano pudesse trazer

um pouco mais de convicção a esta palavra.

É verdade o sonho poderá ter feito com que,

nesta rarefação de ambos,

a tua presença se impusesse

como se cada gesto do poema te restituísse

um corpo que sinto ao dizer o teu nome,

confundindo os teus lábios com o rebordo

desta chávena de café já frio.

Então, bebo-o de um trago

o mesmo se pode fazer ao amor,

quando entre mim e ti se instalou todo este espaço

terra, água, nuvens, rios

e o lago obscuro do tempo

que o inverno rouba à transparência da fontes.

É isto, porém, que faz com que a solidão

não seja mais do que um lugar comum saber que existes,

aí, e estar contigo mesmo que

só o silêncio me responda quando,

uma vez mais te chamo.

Nuno Júdice

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