27 de janeiro de 2017

Quando juntamos as mãos esquecemos que somos culpados da nossa inocência.


Nada, nem sequer o verão
está completo. 


Menos ainda o colar
de sílabas que, desvelado,
te ponho à roda da cintura.
 

Nunca me pediste mais, nunca
te dei outra coisa.
 

Quando juntamos as mãos esquecemos
que somos culpados da nossa inocência.
 

E sorrimos, alheios
ao sol que declina, à estrela
do norte que sabemos no fim.
 

O privilégio da vida é este
silêncio musical que do teu olhar
cai nos meus olhos
e regressa a ti acrescentado
pela luz da manhã varrendo o mar.

Eugénio de Andrade

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