27 de janeiro de 2017

“Lisboa, sabes…”


Alguém diz com lentidão:

“Lisboa, sabes…”


Eu sei. É uma rapariga


descalça e leve,


um vento súbito e claro


nos cabelos,


algumas rugas finas


a espreitar-lhe os olhos,


a solidão aberta


nos lábios e nos dedos,


descendo degraus


e degraus e degraus até ao rio.Eu sei. E tu, sabias?

Eugénio de Andrade

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