17 de janeiro de 2017

Cálice de Porto


Hoje já não pergunto porque não voltas.

Apresso-me apenas para chegar a destino nenhum e apagar as luzes que te vestiram.

Depois permaneço deste lado do palco.

Este lado que se mantém inalterável e escuro, onde a vida não é mais que um reflexo isento de espelhos.

Quisera ter-te… mas não passei de um adereço dispensável na representação.

Resta-me apenas o cenário onde ainda te revejo e vou confundindo a realidade para que o sonho não se suicide.

De alma nua, amo apenas o mar que nos uniu e odeio o mar que nos afastou.

Havíamos ficado, noites inteiras depois de um brinde onde jurámos eternidade.

Perdidos no riso ou exaustos na paixão, deixámos vazios, todos os cálices daquele

Porto que escolhias por amor.

As horas morriam no silêncio dos nossos corpos emudecidos de prazer, numa cama que ficou gravada pelas nossas mãos.

Se a morte chegasse, pediria apenas um cálice de Porto dourado.

E morreria bebendo cada beijo teu!

Ana Paula Lavado

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