17 de janeiro de 2017

A permanente rendição da vida


Murchou a flor aberta ao sol do tempo.

Assim tinha de ser, neste renovo

Quotidiano,

Outro ano,

Outra flor,

Outro perfume.

O gume

Do cansaço

Vai ceifando,

E o braço

Doutro sonho

Semeando.

É essa a eternidade:

A permanente rendição da vida.

Outro ano,

Outra flor,

Outro perfume,

E o lume

De não sei que ilusão a arder no cume

De não sei que expressão nunca atingida.

Miguel Torga

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